FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA

Família Franciscana Portuguesa

História da FFP

 

A presença franciscana em Portugal remonta ao tempo de Francisco de Assis. Basta lembrar os Cinco Mártires de Marrocos, que partiram de Portugal e o nosso Santo António de Lisboa.

 

A chamada FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA, como instituição vivencial e jurídica, cuja génese remonta aos anos 1970, é o mais recente elo da cadeia franciscana em Portugal, representando urna nova explosão da força do carisma franciscano. Reconhecida canonicamente pela Congregação dos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, e, como tal reconhecida pela lei portuguesa, a Família Franciscana Portuguesa tem uma identidade espiritual e jurídica.

 

I Parte - Vida e Lançamento organizativo: 1970-1982

 

1. Génese da Família Franciscana Portuguesa: 1970-1978

 

Os actuais Estatutos da Família Franciscana Portuguesa de 6 de Janeiro 2003, na sua página de rosto, apresentam em extensa nota de rodapé a seguinte Nota Histórica.

 

As Semanas Franciscanas pelos anos 70 aproximaram entre si os vários institutos franciscanos em Portugal, reconhecendo-se da mesma família espiritual.

 

A organização anual de uma Peregrinação Nacional a Fátima, a partir de 1971, foi a primeira actividade comum dos vários ramos franciscanos, por iniciativa da Ordem Franciscana Secular.

 

Em 1976 as instituições franciscanas do país celebraram em conjunto os 750 anos da morte de São Francisco. No ano seguinte começou a publicar-se a revista interfranciscana Paz e Alegria. Paralelamente a estas acções de colaboração, nasceu o projecto de se constituir a associação FAMILIA FRANCISCANA PORTUGUESA (FFP), como órgão institucional da comunhão interfranciscana.

 

A Família Franciscana Portuguesa veio a ser criada formalmente a 14 Janeiro 1978, pelos Superiores Maiores Franciscanos, aprovada pela Congregação dos Religiosos e Institutos Seculares por decreto de 27 Setembro 1978 e reconhecida civilmente a 22 Janeiro 1979 mediante participação ao Governo Civil de Lisboa, nos termos dos artigos 3° e 4° da Concordata entre Portugal e a Santa Sé.

 

A cooperação interfranciscana em Portugal intensificou-se de maneira significativa na celebração, em 1982, do VIII Centenário do Nascimento de São Francisco. A fundação do Centro de Franciscanismo, no final desse ano jubilar, expressa o desenvolvimento crescente da vitalidade da Família Franciscana Portuguesa.

 

Portanto, a década de 1970 foi fundamental para a emergência da instituição Família Franciscana Portuguesa, em reciprocidade de vida e como pessoa colectiva actuante no cenário português. Portanto, as balizas do Percurso Histórico a que se refere o presente trabalho são 1970 — 2005, ou seja, os primeiros 35 anos de vida da Família Franciscana Portuguesa: gestação, nascimento e desenvolvimento inicial.

 

1.1 - As Semanas Franciscanas, iniciadas pelos anos 1970, por iniciativa dos Frades Capuchinhos, forneciam conteúdos e reflexão e aproximavam os vários ramos franciscanos existentes em Portugal. Foi-se descobrindo jubilosamente a «reciprocidade vital», termo então muito em voga, como o único capaz de traduzir a descoberta da mesma seiva franciscana em qualquer um dos ramos e consequente necessidade uns dos outros no seio da Família.

 

Nos encontros dos Superiores Maiores e nas Semanas Franciscanas estava alcançada a experiência de FAMÍLIA FRANCISCANA.

 

O ambiente das primeiras assembleias gerais era entusiasmante. Reconhecer que antes os vários ramos viviam desconhecidos entre si não era agora motivo de lamento ou de compunção, mas simplesmente suporte para a novidade da Reciprocidade Vital, com a força exultante das origens. Aqui as origens referem-se não só ao contacto com a fonte “Francisco de Assis” mas sobretudo ao início daquela nova experiência de Família.

 

Em 1972, a Junta Nacional da TOF (então assim chamada a OFS) publicava um trabalho “A Família Franciscana em Portugal”, cujo prólogo diz claramente: “Tem este modesto trabalho o intuito de permitir melhor conhecimento da Família Franciscana em Portugal, primeiramente aos próprios Franciscanos de qualquer Ordem ou ramo”.

 

O capítulo intitulado ‘O Franciscanismo na actualidade em Portugal’ apresenta cada um dos ramos: carisma, missão e estatística.

 

Este é um sinal da sensibilidade e intervenção determinante da Ordem Franciscana Secular na génese e desenvolvimento da Família Franciscana Portuguesa.

 

A poucos anos após o Concílio Vaticano II (1962-1965), o ambiente de então era propício, pela renovação conciliar geral, nomeadamente pelas orientações do Decreto Perfectae Caritatis, se bem que o movimento da Família Franciscana Portuguesa surgira com a espontaneidade de Assis. O Concílio é que veio confirmar e apoiar a descoberta da «Reciprocidade Vital”. Estamos diante duma nova expressão da novidade de Francisco em comunhão eclesial.

 

1.2 - A 1ª Peregrinação Nacional Franciscana a Fátima, no ano 1971, realiza-se por iniciat1iva da TOF, por intervenção organizativa do P. Anselmo, OFM, cap., Assistente nacional. Promovendo-se a participação de outros Ramos nesta Concentração Franciscana anual, passa a ser desde 1977 a Peregrinação da Família Franciscana Portuguesa.

 

1.3 - Assembleia Geral: 11 Maio 1977
Desde o início da reflexão conjunta das Semanas Franciscanas e consequente aproximação, os Superiores Maiores sentiram necessidade de se reunir para apoiar e programar.

 

A criação da revista interfranciscana Paz e Alegria foi uma das deliberações das primeiras reuniões.

 

A primeira Assembleia Geral com acta registada é de 11 Maio 1977, no Seminário da Luz — Lisboa, com a seguinte agenda:

- Reconhecimento da Família Franciscana Portuguesa como pessoa moral;
- Concentração da Família Franciscana, Fátima, Outubro 1977;
- Preparação do centenário do nascimento do Pai S. Francisco.

 

“Todos os participantes da reunião, tendo aderido formalmente à constituição da FFP como pessoa moral, procederam à votação do grupo de coordenação, composto por cinco membros (...) com a função de arranque da FFP, essencialmente através da preparação dos Estatutos a submeter à assembleia gerarl” (Acta, 11 Maio 1977).

 

Deste grupo de coordenação assumiu a presidência o P. Vítor Arantes, OFM Cap.

 

1.4 - A Revista interfranciscana «Paz e Alegria», publicada durante treze anos, teve alto significado de comunhão na Família Franciscana.

Resultante da fusão da revista Paz e Bem dos Capuchinhos e da Alma dos Franciscanos, surgiu a nova revista com 9.000 assinantes, com publicação bimestral, com a seguinte ficha inicial:

Director:  P. David Azevedo 
Vice-Directores: Maria do Céu Almeida; Alfredo Freire
Orientação Gráfica: Vera Maria
Administração: Herculano Alves - Rua do Tronco, 504 - PORTO
Propriedade e Edição: Província Portuguesa dos Padres Capuchinhos, Ano 1 – Nº 0
Publicação bimestral
Assinatura anual
Portugal. Brasil. Espanha  75$00
Estrangeiro  120$00

 

Logo que a Família Franciscana Portuguesa adquiriu personalidade jurídica, a revista foi registada em nome da Família (cf. Actas Assembleia Geral 10 Maio 1989 e Direcção, 28 Out.1989).

O N° 0, cuja capa foi sujeita à aprovação da assembleia, saiu em Dezembro 1976, apresentando-se aos seus leitores pela primeira vez com as boas festas de Natal.

A revista sempre teve dificuldade em definir a sua própria fisionomia e bastar-se a si própria economicamente.

 

O problema central da revista era a tensão entre mensagem para a Família e mensagem para o público, de tal forma que a revista não agradava totalmente nem aos de dentro nem aos de fora (cf. Acta Assembleia Geral, 14-16 Jan. 1980).

Como tentativa de solução deste problema, após inquérito de apreciação, propôs-se: 1 página dedicada aos jovens, 1 página feminina, 2 páginas reservadas à OFS, para evitar a publicação do seu boletim e 1 secção de temas da actualidade (Assembleia Geral 14 Jan. 1978).

O P. Artur Pais Pereira, OFM, o último Director da revista (1982-1989) relevantes iniciativas tomou para melhorar e salvar a revista. Uma delas foi escolher um pano de fundo temático em cada ano. Por exemplo, em 1995 “O Ano Internacional da Paz”, em 1989 a “Solidariedade”.

 

1.5 - Caderno de endereços — Desde a primeira hora a FFP sentiu necessidade dum caderno de endereços das fraternidades dos vários ramos, a actualizar ao longo dos anos.

 

2. Consolidação da Família Franciscana Portuguesa: 1978-1980

 

2.1 - Aprovação canónica e civil - Os Estatutos elaborados e votados nas assembleias gerais de 22 Out. 1977 e 14 Jan. 1978, foram apresentados para aprovação, em 24 Jan. 1978 à Congregação dos Religiosos e Institutos Seculares, a qual foi concedida em 27 Set. 1978.

 

Para efeitos civis, foi participada ao Governo Civil de Lisboa, a 22 Janeiro 1979, a existência da FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA canonicamente erecta.

 

A assembleia geral, de 29 e 30 Janeiro 1979, reunida em Fátima na Casa dos Padres Capuchinhos, leu o decreto, que aprovara os estatutos da FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA, e procedeu à eleição da nova Direcção:

 

Presidente: P. Mário Silva, OFM

Secretária: Ir. M. Celeste Lúcio, FMM

Tesoureira: Ir. M. Gilda Terra, FHIC

Vogais: P. Vítor Arantes, OFMCap e Alfredo dos Santos Freire, OFS.

 

A Acta da sessão da Eleição estabelece, para os devidos efeitos, os poderes civis do Presidente, como representante da FFP.

 

2.2 – VI Assembleia Geral — Lisboa, 14, 15, 16 Janeiro de 1980 
Regra TOF e Regra TOR

Constituída a Família Franciscana Portuguesa e numa perspectiva da grande celebração do 8° Centenário do Nascimento de S. Francisco, teve lugar uma assembleia de três dias, em Lisboa, na Cúria Provincial das Franciscanas Missionárias de Maria, em ambiente jubiloso e dinâmico. A Acta até faz referência à decoração da saia: documentação fotográfica dos lugares santos franciscanos e documentação variada de vários ramos da Família, nomeadamente da TOF, não só de Portugal mas de muitos países, um mostruário da editorial franciscana e das publicações dos Capuchinhos”.

 

Como interiorização da espiritualidade franciscana, reflectiu-se sobre a nova versão da Regra TOF e da Regra TOR, através do respectivo historial apresentado pelo Ir. Alfredo Freire, OFS — Regra TOF, e pela Ir. Maria Celeste Lúcio, FMM — Regra TOR.

 

Estes dois trabalhos foram publicados nos cadernos de documentação da TOF.

 

Em circular de 04 Março 1979, o presidente nacional, Alfredo Santos Freire, já tinha enviado aos Superiores Maiores da FFP um exemplar da nova versão da Regra: sinal de reciprocidade vital.

 

A Regra da TOF (Terceira Ordem Franciscana) de 1883, aprovada por Leão XIII, é actualizada por aprovação de Paulo VI, 24 de Junho de 1978.

 

A nova Regra da TOR (Terceira Ordem Regular), após longa revisão, é aprovada por bula de João Paulo II, 8 de Dezembro de 1982.

 

A nova Regra da TOR, em longa elaboração, movimentou as congregações franciscanas femininas em Portugal.

 

Por intervenção das Superioras Gerais das Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, Ir. Teresa Fiadeiro, e das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Ir. Maria Eneide Leite, organizou-se em Fátima uma reflexão de dois dias sobre o processo de elaboração da nova regra da TOR, orientada por um sacerdote francês da equipa internacional da redacção final do texto.

 

Aprovada a nova Regra, logo apareceu a edição em tradução portuguesa por intervenção continuada daquelas duas congregações, cujas cúrias gerais estão em Portugal.
Tudo isto confirmou a «reciprocidade vital» e contribuiu para a consolidação da Família.

 

2.3 - Equipa Vocacional - A assembleia geral de 29 e 30 Janeiro 1979 lançou a ideia duma equipa vocacional, ideia que tem germinada ao longo dos vários anos, e pretende crescer.
A escolha duma data para o Dia Nacional da Vocação Franciscana esteve então em foco: 16 de Janeiro ou 13 de Junho, ou ainda outra, ou o domingo próximo da data escolhida. Ficou assunto inconclusivo.

 

3. VIII Centenário do nascimento de Francisco de Assis: 1980-1982

 

A preparação e a celebração do Centenário nos anos 1980-1982 mobiliza a FFP e torna-se culminância da época anterior e ponto de partida para maior desenvolvimento.


3.1 - Ponto culminante e ponto de partida - O Presidente da FFP fez uma comunicação, cujo texto de carácter exortativo e programático foi colocado a título de Prefácio na edição dos Primeiros Estatutos FFP.

 

“Por decreto da sagrada Congregação para os Religiosos e para os Institutos Seculares, de 27 Setembro 1978, a Santa Sé erigiu canonicamente a FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA, aprovando os Estatutos elaborados e votados na Assembleia Geral da Família Franciscana Portuguesa de 14 Janeiro 1978.

 

Assim se realizou um desejo que nasceu no seio da nossa Família ao longo de vários anos.

 

Não teria interesse e tornar-se-ia frustração, se nos contentássemos com o nome que a Igreja nos concedeu e podemos usar por direito.

 

É necessário traduzir em vida e em realizações concretas o que está presente na letra e no espírito dos Estatutos e sobretudo no coração de cada um dos Irmãos e Irmãs da 1, II e da III Ordem Franciscana que constituem a Família Franciscana Portuguesa.

 

(...) Uma das primeiras realizações, e certamente a que merece maior simpatia da parte de todos, vai ser a celebração do 8° centenário do nascimento de S. Francisco, de Outubro 1981 a Outubro 1982. Todos nos empenharemos, com alegria e generosidade, não só nas realizações durante aquele ano, mas também na fase de preparação que já começou, e cujos trabalhos se darão oportunamente a conhecer” (Comunicação do Presidente - FFP. 5, 20 Julho 1979).

 

3.2 - Preparação próxima do Centenário — Em assembleia extraordinária, no Linhó, aproveitando a circunstância duma assembleia geral CNIR-FNIRF (25 Out. 1979) tratou-se da preparação do Centenário, constituindo as seguintes comissões:

- Comissão Central: A Direcção da Família, com poder deliberativo
- Comissão Executiva: P. Marques Novo, OFM, P. António Monteiro, OFMCap, Alfredo Freire e Lagrifa, TOF; Ir. Juvenália Menezes, FHIC, Ir. Celeste Pontes, FNSV, Ir. Vera apelido e Ir. Antónia apelido, FMNS
- Comissão de animação (estudos sobre a mensagem de S. Francisco, peregrinações, etc.)
- Comissão de imprensa
- Comissão das comemorações locais
- Comissão de difusão popular (auto-colantes, cartazes, etc.)

 

3.3 - Preparação espiritual imediata do Centenário consistiu em 3 dias de reflexão, retiro e organização, em Fátima para aqueles que mais comprometidos se encontram com o Centenário, nomeadamente os membros das comissões de preparação do Centenário.

Programa:
30 Abril 1981 - Significado do centenário e seu slogan «Com Francisco de Assis um mundo novo»; apresentação de cada Instituto (quantos membros e onde actuam): humanização do mapa franciscano português, ressaltando as “zonas em branco” desse mapa.
1 Outubro — Retiro - Tema: “Com Francisco um mundo novo”
2 Outubro — O que se pensa fazer através do Secretariado do Centenário e comissões locais -
3 Outubro - Organização técnica das cerimónias da abertura do Centenário, a iniciar na tarde daquele dia. Às 11 horas partida para a Batalha daqueles que participam na Caminhada.

O N° de Nov.-Dez. 1981 da Revista Paz e Alegria divulga em separata a variedade de expressões do carisma franciscano, dedicando uma página a cada um dos 14 ramos das três Ordens, o que muito divulgou a Família, no VIII Centenário do Nascimento de S. Francisco.

 

3.4 - Uma Caminhada para a Abertura do Centenário, desde a Batalha até à Cova da Iria, no dia 03 Out. 1982, tem a participação de muitos jovens e de outras pessoas, algumas com bastante idade. Esta Caminhada não terá significado profético para uma nova etapa?

 

3.5 - A Semana «Grandes Mestres, Grandes Testemunhas», de 16 a 21 de Outubro de 1982, organizada pelo Santuário de Fátima, tomou como tema Francisco de Assis, um homem para o nosso tempo. Naturalmente os conteúdos ficaram a cargo da FFP.

 

3.6 - Edição em português do Livro FRANCISCO DE ASSIS, mensagem de pobreza e de alegria, Ed. Univers Media, Paris, 1982 teve larga difusão.

 

3.7- «O Irmão Francisco», boletim informativo do 8° Centenário do nascimento de S. Francisco, editado pelo Secretariado do Centenário, saiu pontualmente desde Jan. 1980 até Dez. 1982.
No Editorial do último número lê-se: “Despedida. Adeus. [Mas] o Centenário contínua e por isso se funda o Centro de Franciscanismo”.
Neste mesmo número é divulgada a novidade literária «S. Francisco — Fontes Franciscanas», edição comemorativa do 8° centenário, de iniciativa dos Frades Menores.

 

3.8 - Partilha de notícias na Família
A Família sempre sentiu necessidade de partilha de informações.
À edição do “Irmão Francisco“ durante o Centenário Franciscano, segue o Boletim da «Família Franciscana Portuguesa», editado pelo Centro de Franciscanismo, em ritmo bimestral.

 

II Parte - Desenvolvimento da FFP: 1982-2000

 

4. “Com Francisco de Assis um mundo novo”


Um Secretariado da Celebração do 8° Centenário, as várias Comissões acima indicadas, a publicação dum boletim específico do Centenário «Irmão Francisco», o próprio slogan «Com Francisco de Assis um mundo novo» e o respectivo hino:

 

Confiados na graça do Senhor/ Vamos cantar em coro com o povo

 

Com a força da fé e do amor:/ Construir com Francisco um mundo novo,
expressam toda uma densidade vivida pela Família Franciscana Portuguesa a irradiar para outros.

 

Também neste mesmo ano 1982 ocorreu a celebração dos 750 anos da morte de Santo António de Lisboa.

 

A Comunicação do Presidente FFP de 31 Julho 1981:

“As celebrações tiveram início na festa de Santo António no passado mês de Junho e prolongam-se até 13 de Junho 1982. São assumidas e programadas em conjunto pelo Patriarcado de Lisboa, pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Família Franciscana Portuguesa.
A Conferência Episcopal Portuguesa quis associar-se e publicou uma nota pastoral sobre a figura e a projecção de Santo António”.

 

Esta nova época, que agora começa, lança duas novidades: o Centro de Franciscanismo e maior participação de Jovens.

 

5. Centro de Franciscanismo

 

5.1 - Criação e desenvolvimento inicial - O Secretariado da celebração do 8° Centenário do Nascimento de S. Francisco, com as pessoas que nele trabalhavam e a publicação do boletim «Irmão Francisco», fora o alicerce seguro do Centro de Franciscanismo, localizado no Convento da Portela — Leiria.

 

Surge como novo protagonismo da FFP e pólo de referência das suas actividades, organizando e coordenando estudos e reflexão, encontros, retiros, peregrinação nacional, etc.

 

A revista Paz e Alegria, após a publicação de 79 números foi suspensa por motivos económicos em Nov.-Dez.1989, por deliberação da assembleia geral de 06 Fev. 1989.

 

Encerra o último número com uma palavra final do Presidente da FFP, P. António Montes Moreira, OFM: “ … acaba uma Revista interfranciscana de mensagem franciscana. Mas a difusão e o estudo do pensamento e do espírito franciscano continuarão a ser assegurados no âmbito conjunto da Família Franciscana Portuguesa mediante cursos e encontros promovidos pelo Centro de Franciscanismo de Leiria (...) e publicações e actividades próprias dos institutos religiosos e seculares e das instituições laicais da família franciscana em Portugal”.

 

Duas figuras prepararam, lançaram e mantiveram o Centro de Franciscanismo nos primeiros anos: P. Marques Novo, OFM e Ir. Juvenália Menezes, FHIC.

 

5.2 - Directores do Centro de Franciscanismo:

P. Manuel Marques Novo, OFM (1982-1987);
P. Manuel Carreira das Neves, OFM (1987- 1992);
P. José António Correia Pereira, OFM (1992-1995);
P. Adelino Pereira, OFM (1995-1998)
P. Luís de Oliveira, OFM (1998-2004)
P. Daniel Teixeira, OFM (2004-2014)

 

5.3 - Cursos organizados pelo Centro de Franciscanismo
- Estudo das Fontes Franciscanas para Noviços/as e Pré-Noviços/as. Sempre decorreu com regularidade e qualidade.
- Curso Complementar de Formação Franciscana destinado aos Irmãos e Irmãs de votos temporários, e estruturado num ciclo trienal. Começou em 1990, inicialmente com duas semanas de trabalho cada ano. Actualmente com uma semana de estudo, destina-se a toda a FFP.

 

Programa:


I Ano: Deus na Teologia Franciscana. 
Mundividência na Antropologia Franciscana.
História da interpretação do ideal franciscano

 

II Ano: Cristo e Maria no pensamento franciscano. 
Espírito Santo. 
A Igreja. História do apostolado franciscano. 
Ordem Terceira Regular e Secular.

 

III Ano: Missão franciscana.
Respostas à justiça social, paz e ecologia
Franciscanismo na História da Cultura.
História do Franciscanismo em Portugal.

 

Curso por Correspondência: «O Carisma Missionário Franciscano». Lançado por um grupo de Franciscanos de vários países, procura atingir toda a Família Franciscana. Em Portugal, coordenado e adaptado pelo Centro de Franciscanismo, começou em Abril de 1988 e concluiu em 1991, com as suas 24 unidades. Despertou interesse.

 

6. Alargamento da Família Franciscana Portuguesa

 

6.1 - Movimentação juvenil - Grande foi a mobilização dos jovens na celebração do 8° Centenário do Nascimento de S. Francisco, que coincidiu também com a celebração dos 750 anos da morte de S. António de Lisboa.

 

Muita gente recorda a apoteose vivida na cidade de Coimbra, numa marcha juvenil desde a igreja de Santa Cruz até à igreja de Santo António dos Olivais, com encenações e mensagem ao longo do percurso.

 

Surgiu massiva adesão das classes jovens ao espírito franciscano, com aquela espontaneidade própria da faixa etária juvenil e também do cariz franciscano, que resiste a estruturas e contagem estatística. No entanto, o sentido de encontro e partilha exigiram uma estruturação dos Jovens.

 

O Acampamento de Jovens realizado, ao longo de vários anos, em torno da data da Peregrinação Franciscana, orientado pelo P. Henrique Marcelino, OFM, foi um dos antecedentes deste Alargamento da FFP com os Jovens.

 

6.2 - Primeiro Encontro Nacional de Jovens, com os Assistentes de grupos de Jovens de inspiração franciscana, realizou-se de 30 Nov. — 02 Dez. 1984, na casa da Sagrada Família em Coimbra, com a presença de 60 Jovens, representando 37 grupos, dentre os 45 existentes em Portugal.

 

Um dos assuntos deste Encontro foi a possível criação de um Departamento da Juventude anexo ao Centro de Franciscanismo.

 

Do 1 Encontro Nacional saiu um Manifesto:

Os 27 Grupos de Jovens de inspiração franciscana, dos 35 existentes no Pais, reunidos em Coimbra, de 30 de Novembro a 2 de Dezembro de 1984, na Casa da Sagrada Família, vêm por este meio manifestar a toda a Família Franciscana, à Igreja, ao País e ao Mundo o seu desejo e propósito de, todos juntos, num espírito de união, partilha, inter-comunhão e inter-ajuda, constituírem a génese da Juventude Franciscana Portuguesa, com seu carisma e características próprias, e que nos aceitem e identifiquem como tal.

 

Neste ano de 1985, que se aproxima — Ano Internacional da Juventude — apliquemos os nossos esforços e entusiasmo na efectivação desta realidade já presente e louvemos o Senhor por nos ter proporcionado dar resposta a este sonho que pairava no mais profundo de nós mesmos e que agora já é uma concretizada obra Sua.

 

Para Cristo, com Maria e encaminhados por Francisco de Assis, caminhemos juntos na partilha de nós próprios.

 

Coimbra 1 de Dezembro 1984

 

Os Grupos de Jovens de Inspiração Franciscana presentes no 1° Encontro Nacional de Responsáveis e Assistentes.

 

Aprovado em Assembleia Geral FFP, 3 e 4 de Fevereiro de 1985.

 

Este 1 Encontro Nacional, com tão significativa participação de grupos diversos, supõe a existência dum Secretariado Nacional já em actividade. No triénio 1986-1989 é Presidente nacional da Juventude Franciscana Manuel Augusto Carvalho — Loures. No triénio seguinte é Jorge Baptista Gaspar — Fundão.

 

Constituiu-se então uma comissão ad-hoc para estudar a articulação dos vários grupos juvenis (MOJUFRAN):

 

Ir. Maria Amélia Costa, FHIC; P. Eliseu Moroni, OFMConv; P. Fernando Mota, OFM e um representante de cada movimento.

 

Mas outros jovens já fazem parte da FFP, e de maneira comprometida, constituindo a ala juvenil da OFS.

 

Entretanto outros grupos juvenis se formaram.

 

6.3 - Foram Juvenil Franciscano — Reunido em Fátima, 9-11 de Janeiro de 2004, por iniciativa convocatória do Centro de Franciscanismo, elegeu o seu Secretariado, que poderá congregar ou pelo menos contactar os muitos grupos de jovens existentes em Portugal.

 

Os actuais Estatutos FFP reconhecem os jovens na sua diversidade:
“Participa nas assembleias gerais o Presidente do órgão coordenador dos movimentos juvenis franciscanos” (cf. Estatutos FFP. Art.2c3b).

 

7. Estatutos da Família Franciscana Portuguesa

 

1978 - Os primeiros Estatutos elaborados e votados nas Assembleias Gerais de 22 de Outubro de 1977 e 14 de Janeiro de 1978 e aprovados a 27 de Setembro de 1978;

 

1986 - Estatutos revistos em Assembleia Geral;

 

21 de Outubro de 1985, e aprovados a 7 de Janeiro de 1986

 

2003 - Estatutos revistos nas Assembleias Gerais de 29 de Janeiro de 2000, 27 de Janeiro de 2001, 6 Outubro de 2001 e aprovados em 6 de Fevereiro de 2003.

 

Os primeiros Estatutos foram assinados pelos superiores maiores de onze instituições franciscanas, incluindo a Ordem de Santa Clara. Em 2005 são vinte e uma as instituições que formam a Família Franciscana Portuguesa

 

8. Cooperação Europeia Franciscana

 

Iniciada em 1984, sendo o seu primeiro presidente o P. Manuel Carreira das Neves, OFM, nela participava a FFP representada inicialmente pelo P. Marques Novo, OFM.

 

Houve um Encontro em Fátima em 1987 sob o tema: “A presença franciscana na Europa” e o Congresso Europeu Franciscano, em Assis, de 15 a 22 de Setembro de 1991.

 

Um Congresso Franciscano Hispano-Português, de 9 a 13 de Setembro de 1992, teve lugar em Lisboa, Linda-a-Pastora, sobre “O Feminino na Família Franciscana”.

 

9. VIII Centenário do Nascimento de S. António: 1995

 

9.1 - As celebrações populares, organizadas sob o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa, tomaram especial solenidade, por intervenção da FFP na Eucaristia campal e Procissão pelas ruas de Lisboa.

 

9.2 - As celebrações de aprofundamento da vida e escritos de S. António, nomeadamente sob o ângulo da Missão, tiveram relevo num Congresso internacional, 25-30 de Setembro de 1995, no Porto, Coimbra e sua conclusão na Universidade Católica de Lisboa.

 

9.3 - A Peregrinação a Fátima, deste ano salientou o 8° Centenário Antoniano e também 1° Centenário das Franciscanas Missionárias de Maria em Portugal, vindas em 1895 no contexto das celebrações do 7° centenário antoniano, para assumirem a direcção da Vila de S. António, em Lisboa: obra social em favor dos operários, que ficaria como lembrança do 7° Centenário do Nascimento de S. António.

 

Na sessão no Auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, foram encenados dois temas: “A Vocação de Santo António” e “100 anos das Franciscanas Missionárias de Maria em Portugal”.

 

III Parte - Novos Desafios: 2000-2005

 

Com o novo milénio tudo recomeça e a evolução do mundo ostenta mudanças abrangentes e profundas de toda a ordem, a desafiar novos tempos.

 

10. Francisco de Assis, o Homem do Milénio

 

Recapitulando o II Milénio, a sociedade mundial, em resposta a um Inquérito da revista Times, elege Francisco de Assis como o homem mais influente e cativante da humanidade, no milénio em que viveu.

 

E o mundo de hoje em entranhável sintonia com Francisco de Assis a desafiar a Família Franciscana Portuguesa

 

10.1 - Toponímio em Lisboa com o nome de Francisco de Assis, a pedido da FFP, foi atribuído a uma rotunda do Bairro das Telheiras.

 

10.2 - Conferências e colóquios realizaram-se em vários pontos do país, sob o tema «Francisco entre o II e o III Milénio» e Teatro sobre a vida de Francisco. É de salientar o teatro executado nos Jardins do Seminário da Luz-Lisboa.

 

11. O Ano Clareano: 750 anos da Regra e da morte de Santa Clara

 

Decorreu no mundo inteiro de 13 de Abril de 2003 (Domingo Ramos) a 11 de Agosto de 2004, sob proposta dos 4 Ministros Gerais da 1ª Ordem e da TOR, em carta, que inaugura o Ano Clareano: “Ouvi, pobrezinhas, eleitas do Senhor...” (cf. Exortação de S. Francisco).

 

O Ano Clareano foi celebrado no aprofundamento espiritual nos mosteiros de Clarissas, e na Semana de Estudo sobre Santa Clara, em Fátima e em Beja; na Saudação da FFP a cada um dos mosteiros da II Ordem, juntamente com uma palma, apresentada no Domingo de Ramos: 13 de Abril de 2003, e visitas espontâneas aos Mosteiros de Clarissas; na reflexão e celebração com o Ministro Geral OFM, em Lisboa, com a presença dos vários mosteiros de Portugal; como encerramento na Peregrinação Franciscana, Outubro de 2004, em que foi encenada a Cantata de Santa Clara, da autoria do Fr. Acílio Mendes, OFMCap, interpretada pelos Jovens do grupo Giofrater animado pelas Irmãs Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, que naquele ano celebravam 150 anos da fundação da Congregação.

 

A palma oferecida a cada mosteiro de Clarissas, no Domingo de Ramos, lembrando a saída de Santa Clara da casa paterna, para se fazer franciscana, sintoniza com as onze roseiras que cada mosteiro plantou no ano do 8° centenário do nascimento de Sta. Clara: 1993, sob o slogan «Clara, Mulher Nova».

 

12. Retorno constante às Fontes

 

12.1 - Reflexão Franciscana - A FFP, que iniciou, nos anos de 1970 com as Semanas Franciscanas, e se desenvolveu com variadas acções sistemáticas de Formação, organizadas pelo Centro de Franciscanismo, encontra-se hoje com novos desafios de identidade e missão, reclamando reflexão.

As Semanas Franciscanas em Beja, promovidas nestes últimos anos pelos Irmãozinhos de São Francisco de Assis, são já resposta a desafios de alargar, descentralizando, para que o carisma franciscano seja dom para mais gente. O retomo às Fontes tem sido preocupação de todos os Presidentes da FFP.

 

12.2 - Presidentes da FFP:

1977-1979: P. Vítor Arantes Silva, OFMCap;
1979-1985: P. Mário Pereira Silva, OFM;
1985-1992: P. António Montes Moreira, OFM;
1992-1998: P. Mário Pereira Silva, OFM;
1998-2004: P. José Pereira Neves, OFM;
2004-2006: P. Isidro Pereira Lamelas, OFM;

2006-2009: Fr. Fabrizio Bordin, OFMConv;
2009-2015: Fr. Vítor Melícias Lopes, OFM;

2015- : Fr. Fernando Alberto Cabecinhas;

 

12.3 - Publicações

Os Cadernos de Espiritualidade Franciscana e variadas publicações dos Ramos da Família … O intento duma página na Internet da FFP e a criação duma nova série do boletim interno da Família… desafiam maior visibilidade da Família Franciscana Portuguesa.

 

13. Sede nacional da OFS


A OFS, que teve notória intervenção no surgimento da FFP e sempre insistiu na “reciprocidade de vida” entre todos os Ramos, levanta em 2005 a construção da sua Sede Nacional, em Fátima, junto da Cada do Bom Samaritano da Fraternidade Franciscana da Divina Providência: desafio de novas acometidas de missão para toda a Família Franciscana Portuguesa.

 

14. Reestruturação da Família Franciscana Portuguesa

 

Em Assembleia Geral, 7 de Outubro de 2000, deliberou-se unificar os orçamentos e contas do Centro de Franciscanismo e da FFP em geral.

 

Em Assembleia Geral, 5 de Fevereiro de 2005, propôs-se dialogar sobre revisão da orgânica interna da FFP e reflectir sobre a própria identidade da FFP, ao serviço da qual foi elaborado este simples trabalho do Percurso Histórico.

 

Sob a bênção de S. Francisco

 

Contam as velhas crónicas que, ao receber a notícia da morte dos cinco Mártires de Marrocos, Francisco de Assis ter-se-ia voltado para as bandas de Portugal lançando uma bênção especial para esta terra, donde partiram os Mártires e para onde voltaram os seus corpos” (cf. S. Francisco de Assis, mensagem de pobreza e alegria, pág. final).

 

Conclusão — Os primeiros 35 anos de vida da Família Franciscana Portuguesa: criativos, irrequietos, sempre desafiados pela pessoa de Francisco...

 

É realidade o sentido de FAMÍLIA:
- Partilha de notícias de cada Ramo, como parte integrante da agenda das Assembleias Gerais...
- Convites recíprocos de participação em diferentes momentos celebrativos dos diversos Ramos...
- Memória de tais acontecimentos significativos, celebrados na Peregrinação Nacional como acontecimentos da FAMÍLIA.

 

Ir. Maria Celeste Lúcio, FMM

Secretária da FFP, Percurso Histórico da Família Franciscana Portuguesa acabado de elaborar na Festa de S. Francisco, 4 de Outubro de 2005 e apresentado em Assembleia Geral, Fátima, 15 de Outubro de 2005.