FAMÍLIA FRANCISCANA PORTUGUESA

43ª PEREGRINAÇÃO FRANCISCANA 2015

 

43ª PEREGRINAÇÃO FRANCISCANA a Fátima: 3 e 4 de Outubro de 2015

Tema: “Um Baptismo, uma Vocação, uma Família”

Programa-Horário

Dia 3 de Outubro de 2015

- 14:30 - Acolhimento no Centro de Paulo VI: - Saudação pelo Presidente da Família Franciscana Portuguesa; - Apresentação das Congregações e grupos presentes.

- 16:00 Conferência pelo D. António Couto, Bispo de Lamego.

- 18:00 Eucaristia da Festa de S. Francisco na Basílica da Santíssima Trindade.

- 21:30 - Terço e Procissão de velas (Capelinha das Aparições).

- 23:00 – 00:30 - Vigília de oração no Centro Pastoral Paulo VI orientada pelas Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, com testemunhos vocacionais.

Dia 4 de Outubro de 2015

10:00 - Terço (Capelinha das Aparições).

11:00 - Eucaristia Internacional.

 

“Um Baptismo, uma Vocação, uma Família"

 

A nossa vocação franciscana é um dom precioso recebido da Santíssima Trindade, um carisma dado pelo Espírito Santo ao nosso pai S. Francisco e seus seguidores, para o bem da Igreja e do Mundo. Esse carisma tem uma identidade específica, evangélica, dinâmica, “em caminho”, que todos vamos construindo. O ponto de partida para todos é o Evangelho e a referência é a experiência de Francisco de Assis e das primeiras Fraternidades que, ao longo de oito séculos, foram dando resposta aos sinais dos tempos e dos lugares em cada tempo histórico.

1.      A vocação baptismal

A deficiente compreensão do baptismo levou a concentrar toda a missão e todos os ministérios na pessoa do ministro ordenado: só conta ser padre e bispo, e, quando muito, consagrado. Por isso, falar de vocação baptismal, do baptismo como vocação primeira dos cristãos é, para uns, verdadeira novidade, para outros, descabido e sem significado.

 O Concílio Vaticano II, voltando às fontes bíblicas, resgatou o significado do baptismo, levando-nos de novo a tomar consciência que todos somos chamados à santidade. O baptismo incorpora-nos na comunidade cristã, tornando-nos participantes da vida divina e impulsiona-nos para a vivência da vocação cristã, do chamamento universal à santidade (cf. LG 9.39-42; GS 32). O baptismo foi redescoberto como “sacramento primordial” que abre os horizontes da consagração, fundamenta a comum dignidade e legitima a diversidade. As vocações específicas e os ministérios confiados aos baptizados são “concretização” da única vocação recebida no baptismo, mais do que uma “nova consagração”.

Todo o ser humano é chamado, em primeiro lugar, à existência. Mas esta vocação só se realiza se, como imagem e semelhança de Deus, entrarmos em comunhão com a Trindade e participarmos da vida divina. É a partir do baptismo que a pessoa assume a sua verdadeira identidade de cristã.

                2. Fundamento da comum dignidade

A vocação baptismal é o fundamento da comum dignidade. O Concílio Vaticano II foi bem claro ao afirmar a comum dignidade dos membros do Povo de Deus. Essa igual dignidade nasce da comum vocação à perfeição, pelo que todos aqueles que foram baptizados e revestidos de Cristo não podem ser tratados como seres desiguais: «nenhuma desigualdade existe em Cristo e na Igreja, por motivo de raça ou de nação, de condição social ou de sexo» (LG 32).

Na família de Deus, o que importa em primeiro lugar é ser discípulo e discípula de Jesus; não importa o estado de vida (bispo, padre, freira, leigo…). Somos todos chamados para o seguimento de Cristo.

                3. A vocação baptismal como legitimação da diversidade

A consciência e a vivência da vocação-consagração baptismal é a raiz de onde brotam todos os ramos-caminhos vocacionais. O baptismo como fundamento da vocação comum rompe todas as fronteiras rumo à diversidade e à vivência da mesma fé de maneira diferente, de acordo com os carismas que o Espírito vai suscitando. O baptismo é a fonte da comum dignidade mas também “da legitimidade da diversidade das vocações e dos ministérios”.

               4. Vocações específicas: concretização do baptismo

A redescoberta da vocação baptismal e a sua conveniente compreensão permite-nos perceber que as vocações específicas (dos cristãos leigos, da vida consagrada e do ministério ordenado) são apenas formas de concretização do baptismo, e não “novas” vocações. O esquecimento da vocação baptismal levou-nos a pensar em “consagrações”, cada vez que se falava de uma vocação específica, especialmente quando nos referíamos à vocação do padre e da vida consagrada. A única e verdadeira consagração é aquela que acontece no baptismo. As vocações específicas são apenas concretização e explicitação da vocação baptismal, “expressão mais plena da consagração do baptismo” (Genover).

O Concílio Vaticano II fala da única vocação à santidade, vivida na diversidade das vocações específicas. E esclarece que, no baptismo da fé, os seguidores de Cristo «foram feitos verdadeiros filhos de Deus e participantes da natureza divina» (LG 40). «Essa é a única e verdadeira consagração!». Porém, o exercício dessa única consagração, do chamamento à santidade, «dá-se de maneira multiforme, de acordo com os géneros de vida e os carismas que foram confiados a cada um dos fiéis” (LG 41). «Assim todos os fiéis são convidados e obrigados a tender para a santidade e perfeição do estado próprio» (LG 42). É claro que não há distinção entre cristãos, em virtude da comum consagração baptismal.

              5. Uma única Família

Baptizados “na fé da igreja que nos gloriamos de professar”, somos irmanados na comum vocação à santidade, à perfeição, na Família Franciscana.

Neste jardim maravilhoso que é a Igreja, somos um dos canteiros que a embelezam e constroem, quais “tijolos” moldados por Deus, ao jeito de Francisco de Assis. São diferentes os “tons” e as “cores”. São diferentes os lugares onde se tece a nossa vida. São diferentes os “claustros” onde a saboreamos e partilhamos. São diferentes as “pedras” que pisamos. São diferentes as “sandálias” que levamos nos pés. Caminhamos de mãos dadas, cantando e bailando, de pé, firmes, ou de joelhos, contemplando, ou prostrados, adorando, ou arrastando os pés, sem esperança… Não deixamos ninguém para trás… Mas caminhamos de mãos dadas… Partilhamos alegrias e tristezas, esperança e desilusões… Mas caminhamos de mãos dadas…

Somos a Família Franciscana Portuguesa!

               6. Todos baptizados, chamados e enviados

Nenhum cristão é essencialmente distinto dos demais. Há apenas formas diferentes de viver o seguimento de Cristo, que tem no baptismo a única e verdadeira consagração. Isso ajuda-nos também a entender melhor a íntima relação existente entre consagração e missão. Todas as pessoas baptizadas são chamadas por Deus e enviadas em missão. A vocação baptismal é missionária. «Não deixemos que nos roubem a força missionária», desafia-nos o Papa Francisco (A Alegria do Evangelho, nº 109).

                7. Construtores da Casa Comum

“O nosso claustro é o mundo”, dizia S. Francisco. Hoje é o Papa Francisco a desafiar-nos: «A humanidade possui ainda capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum» (Laudato Si’, nº 13). É um desafio que pretende «unir toda a família humana», mas deve ser assumido particularmente por nós Franciscanos, porque Francisco «manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados… Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior».

                      Frei Daniel Teixeira, OFM (Director do Centro de Franciscanismo)